::Segunda ::
Quando me toquei, já era hora de partir. Assim como todas as outras vezes em que estive perante a uma situação como essa, respirei fundo e me encorajei com pensamentos positivos. Estava tudo sob controle, nem a chuva caindo do NADA me fez fraquejar, até porque em cinco minutos ela já estava longe de ser ameaçadora. Assim como o Sol, eu também saí da minha toca. Era hora de conviver com a sociedade novamente. Minutos depois eu já estava tendo flashbacks fortes de dois anos atrás.
Dentro da carroceria, já pensava no momento em que encontraria meus novos companheiros de aventura. Para minha surpresa, não são muito diferentes do que já estava acostumado. Sempre tem na turma:
- O falastrão, que chamarei carinhosamente de Hildebrando;
- O calado, que por sinal é exatamente igual ao negro da minha última experiência escolar;
- O experiente, que se assemelha muito a muitos e muitos colegas que já tive;
- O convencido;
- O quieto (eu);
Aliás, tem um (ou três) motivo (os) para eu estar quieto. É por opção. O curso logo acabará, então não há motivos para manter contato, fora que achei o pessoal muito dispensável.
Amizade com velho não presta, só servem para um papo rápido (até porque nada rende em função da incompatibilidade).
Amizades com garotos de 16 anos não me interessam, pouco acrescentarão na minha vida (pelo menos os da sala).
Amizade com professor (que cheguei a cogitar) é tão passageira quanto a duração do curso.
Ainda bem que não reclamo mais por não ter amigos. Fora que é uma péssima época para novas amizades, péssima.
:: Terça ::
Eu tava no ônibus na hora que começou (22:10), logo após sair do curso, e tal ônibus estava no engarrafamento por conta de um babacão que não queria tirar o carro batido uns 20 metros a frente de onde estávamos. Depois de vinte minutos parado no trânsito, ajudamos o motorista a fazer uma manobra e escapar da rua engarrafada. Logo após isso, foi só aventura. Ruas apagadas, possibilidade de arrastão, pessoas tensas na rua... Cheguei ao meu destino e foi cara e coragem para encarar ruas escuras até pegar o próximo ônibus D:
Nesse meio tempo ajudei uma mulher a chegar no namorado (nem tinha esperanças mesmo) e ela me agradeceu aliviada apertando minha mão :)
"Você consegue reconhecer seu namorado no escuro?"
"Não, não consigo reconhecer nada"
"É, mas devia."
Acredito que a relação deles não seja 100% boa...
:: Quarta ::
Nada para contar, apenas sobre ter acontecido outra coisa ruim com o ônibus na ida. Tinham trocentos passageiros esperando em um determinado ponto, porque o ônibus da mesma linha tinha quebrado no caminho, e o meu era o que chegou depois. Enfim, lotou, o calor aumentou e cheguei (muito) atrasado de novo.
:: Quinta ::
Dia aparentemente tranqüilo. Gostei tanto de não passar por nenhum imprevisto ou sofrer com o tempo. O clima estava agradável, porém ainda calor o suficiente para suar um pouco. Ah, cheguei atrasado também, mas uns dez minutos só.
_ Pequenas coisas
Sentado perto da janela, ficava observando tudo que se passava no lado de fora do ônibus. Me perco em pensamentos, pessoas, planos e momentos. Temo nem sentir um ladrão pegar algo de mim, pois é algo tão profundo que pareço estar em outra atmosfera. A única coisa capaz de tirar minha concentração espacial é sentarem ao meu lado e emitirem barulhos desconfortáveis como ESPIRRAR/TOSSIR.
:: Sexta ::
Dia legalzinho, mas consegui a proeza de chegar atrasado mesmo saindo cedo de casa. Acho que desisto, inventarei um apelido antes que o façam: Sou o late man.
Na volta, teve um motorista de ônibus que não o parou para cinco pessoas, incluindo a mim. Segue o diálogo:
Motorista: Pega o que vem atrás!
Pessoa 1 com voz engraçada e altamente inconformado: FILHO DA PUTA! É sempre essa sacanagem na sexta-feira, ninguém para, puta merda.
Mulher: mimimi
Pessoa 1 olha para o caminho de onde vêm os ônibus: ... Cadê o outro?
Tive vontade de rir, mas sinto que levaria um belo soco. Acho que só eu estava rindo da própria desgraça por dentro.
Enfim, a semana acabou, mas o final dela ainda promete mais estudos e correria.
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